5 fatos sobre a Música do Candomblé na Cultura Brasileira

A música do Candomblé, uma tradição religiosa afro-brasileira, ocupa um lugar sagrado e poderoso na cultura brasileira. Conhecidas como “Orin” na língua Yoruba, essas canções e ritmos servem como um elo vital entre os mundos material e espiritual. Através da invocação dos Orixás, as divindades do Candomblé, a música se torna um veículo para a comunicação e conexão divina.

No coração da tradição musical do Candomblé estão os atabaques, um conjunto de três tambores – o lé, rumpi e rum – que trabalham em harmonia para chamar os Orixás e guiar suas danças. O ritmo e o tom dos atabaques são cuidadosamente cultivados, pois são vistos como objetos vivos e sagrados, imbuídos com o espírito de Ayan Agalú, o Orixá dos tambores. O processo de afinação e preparação dos atabaques é um ritual em si, com oferendas e bênçãos concedidas a eles para fortalecer sua conexão com o divino.



O Alabê: Guardião dos Ritmos Sagrados

O papel do alabê, ou mestre do tambor do Candomblé, é de imensa responsabilidade e reverência. Como guardião dos ritmos sagrados, o alabê deve possuir um profundo entendimento dos padrões intrincados e seus Orixás correspondentes. Sua habilidade em tocar os atabaques não é meramente técnica, mas uma manifestação de sua conexão espiritual com o divino.

O processo de se tornar um alabê é longo e árduo, exigindo anos de aprendizado e iniciação dentro da comunidade do Candomblé. Apenas aqueles considerados dignos e espiritualmente preparados são confiados com a honra de tocar o rum, o maior e mais poderoso dos atabaques. A performance do alabê não é apenas uma demonstração de habilidade musical, mas um ato ritual de invocação e comunhão com os Orixás.

Os ritmos e melodias do Candomblé tiveram um impacto profundo e duradouro no desenvolvimento da música popular brasileira. Desde as origens do samba, com suas raízes nos padrões de chamada e resposta das canções do Candomblé, até a incorporação de ritmos inspirados no Candomblé em gêneros como bossa nova, MPB, e até rock e funk, a influência desta tradição musical sagrada pode ser ouvida em toda a paisagem musical brasileira.

Artistas como Dorival Caymmi, Mateus Aleluia e Letieres Leite todos se inspiraram na tradição do Candomblé, tecendo seus ritmos e essência espiritual em suas próprias criações musicais. A Orquestra Afro-Brasileira, liderada pelo maestro Abigail Moura, é um exemplo primordial da integração perfeita da música do Candomblé no cenário orquestral, mostrando o apelo universal e o poder desta forma de arte sagrada.

A Preservação e Evolução da Música de Candomblé

Apesar da influência generalizada da música do Candomblé, a preservação de suas tradições e a transmissão de conhecimento de geração em geração não tem sido sem seus desafios. A perda de fluência na língua Yoruba, a língua dos rituais do Candomblé, levou à erosão gradual dos significados e nuances originais das canções e cantos.

Projetos como o Rum Alagbê, liderado por Iuri Passos, um músico do Candomblé e o primeiro alabê a obter um mestrado em etnomusicologia, têm sido fundamentais no esforço para salvaguardar e revitalizar o ensino da música do Candomblé. Ao envolver a comunidade, particularmente a juventude, essas iniciativas visam garantir que os ritmos sagrados e tradições do Candomblé continuem a prosperar e evoluir, servindo como um elo vital para a herança cultural e espiritual do povo afro-brasileiro.

O Espírito Duradouro da Música do Candomblé

Em seu núcleo, a música do Candomblé é uma expressão viva e respiratória das crenças espirituais profundamente enraizadas e da identidade cultural do povo afro-brasileiro. Dos ritmos intrincados dos atabaques às poderosas invocações dos Orixás, esta tradição musical carrega dentro de si uma profunda conexão com o divino, um testemunho da resiliência e adaptabilidade da experiência afro-brasileira.

À medida que a música do Candomblé continua a influenciar e moldar a paisagem cultural brasileira mais ampla, sua importância se estende muito além dos limites das paredes do templo. É um testemunho do espírito duradouro de um povo, uma celebração do rico mosaico da herança africana, e um lembrete do poder transformador da música para transcender fronteiras e nos unir a todos na experiência compartilhada do divino.

Orin: Música para os Orixás

O documentário Orin: Música para os Orixás, dirigido por Henrique Duarte, busca explorar as diversas manifestações musicais do candomblé, destacando sua importância cultural.

Esse é um documentário muito interessante e que motivou a criação deste artigo. E como as pesquisas encontraram diversas opiniões, pretendo apontar uma síntese dos apontamentos que eu encontrei e que me motivaram a assistir o documentário.

Uma Análise Disruptiva

A análise de Jorge Cruz aponta que, a primeira parte do filme apresenta uma variedade de perspectivas, incluindo entrevistas com alabês e etnomusicólogos, fornecendo uma visão abrangente e equilibrada. Destaca-se a figura de Iuri Passos, professor de atabaque no terreiro de Gantois em Salvador, como um exemplo de docência na área.

No entanto, Jorge Cruz segue apontando que, após essa introdução informativa, o filme enfrenta uma crise de identidade, perdendo-se em uma abordagem menos coesa. A inclusão do cantor Gerônimo Santana parece indicar uma tentativa de traçar um panorama geral, mas a falta de dinamismo prejudica a narrativa. O documentário se torna excessivamente informativo, deixando de explorar as particularidades que enriquecem a tradição musical do candomblé.

E o colaborador do site Vertentes do Cinema, conclui dizendo que, embora o filme busque uma abordagem fluida, abrindo mão de elementos tradicionais como narração, isso pode resultar em uma falta de direção clara e escolhas limitadas que comprometem a coesão do trabalho. Apesar de sua importância em dar voz às religiões de matriz africana, “Orin: Música para os Orixás” falha em alcançar plenamente seus objetivos, deixando uma sensação de frustração em alguns espectadores.

Particularmente, críticas negativas são as me mais me impulsionam a procurar saber mais sobre determinada obra e, assim, ter o meu contato particular com a obra para que eu possa formar minha própria opinião.

Visão Técnica Fora do Candomblé

O filme conta com uma página no Instagram, onde pode-se encontrar diversas imagens muito bonitas relacionadas à obra.

De acordo com Leonardo Ribeiro, formado em Publicidade e Propaganda pelo Mackenzie – SP, e que escreve sobre cinema, o documentário mergulha na rica herança musical do candomblé, explorando suas origens, ritmos e instrumentos, e sua influência na música brasileira, incluindo gêneros como samba, baião e funk carioca. A música é o foco central do filme, destacando seu papel nas celebrações religiosas, no transe e na invocação dos Orixás, bem como sua função como meio de integração social.

Em sua análise, a narrativa é estruturada em torno do atabaque, instrumento símbolo do candomblé, desde sua divisão em três formatos até seu processo de fabricação. No entanto, essa estruturação pode parecer caótica no início, com uma transição pouco delineada entre os temas abordados pelos diversos especialistas consultados, resultando em uma sensação de aleatoriedade. O documentário salta entre curtos fragmentos de depoimentos, o que pode dificultar o acompanhamento para aqueles sem conhecimento prévio do assunto.

No decorrer da crítica, Leonardo indica que, apesar de impor uma certa cadência ao transmitir as informações, alguns temas são tratados superficialmente, como a referência aos grupos musicais que exploraram as raízes africanas na MPB. O filme também possui aspirações didáticas, como ao acompanhar um instrumentista defendendo sua tese sobre os atabaques em uma faculdade de música na Bahia, e visa promover a cultura do candomblé, alvo de desinformação e preconceitos na sociedade brasileira.

Entretanto, a crítica encerra apontando que a narrativa do documentário fica restrita aos depoimentos e às cerimônias nos terreiros, tornando-se repetitiva e não conseguindo proporcionar uma imersão mais profunda no universo retratado. Apesar das fragilidades, o filme preserva a cultura do candomblé e destaca sua importância como manifesto de defesa e peça de resistência.

Entrevista com Henrique Duarte

Henrique Duarte, diretor do documentário Orin – Música para os Orixás, apresentou esse seu primeiro longa-metragem no XIV Panorama Internacional Coisa de Cinema, no Espaço Itaú de Cinema Glauber Rocha. Após exibições especiais em terreiros de candomblé em Salvador, na sede da Unesco em Paris e no Festival de Brasília, o filme foi selecionado para a Competitiva Baiana do festival.

Em uma entrevista para o Portal Sotero Preta, Henrique Duarte compartilhou sobre o processo de realização do filme. O tema foi escolhido devido ao fascínio pelo papel da música no transe do candomblé e na estrutura das festas. O autor indicou que as filmagens iniciaram durante seu curso de Jornalismo, em 2014, e foram concluídas após a obtenção de recursos da Fundação Gregório de Mattos, em 2016.

Quanto à influência dos sons dos terreiros na música brasileira, Duarte destaca que mesmo os artistas que não pesquisam sobre sua origem acabam incorporando esses ritmos em sua produção. Ele ressalta que a cultura percussiva baiana, proveniente dos terreiros de candomblé, é uma parte essencial da música da região.

Sobre a receptividade da comunidade religiosa, Duarte foi positivamente surpreendido pela aceitação do filme, apesar da sensibilidade do tema. Ele enfatiza a importância de tratar o assunto com cuidado e respeito, evitando estereótipos e exotismo.

No processo de realização, Duarte diz que buscou destacar os músicos e a dança dos terreiros, evitando uma abordagem exótica. O filme é construído principalmente com base nas falas das pessoas envolvidas, sem narração ou texto adicional.

Sua expectativa para a exibição na Bahia foi muito grande, especialmente por ser parte do prestigiado festival Panorama. Onde ele indicou que espera uma grande participação do público e estava ansioso para o debate após a sessão, envolvendo aqueles que contribuíram para o filme.

A leitura dessa entrevista fluiu de maneira mais leve, incentivando procurar por mais informações antes de assistir ao documentário. A opinião do diretor de um filme pode ser vista com suspeição por alguns expectadores, porém acredito que ninguém melhor do que o idealizador para dar informações mais aprofundadas sobre a obra. E de tal forma, a descoberta se torna mais interessante.

Conclusão

O filme contribui para a valorização e preservação da cultura musical-religiosa do Candomblé e tem os seus méritos por isso. Vale muito a pena assistir, principalmente para pessoas adeptas e praticantes da religião, que obterão informações audiovisuais de grande valor cultural.

A obra está disponível na íntegra no youtube e pode ser assistida gratuitamente.

Perguntas Frequentes

Quais são as músicas do Candomblé?

As músicas do Candomblé são popularmente chamadas de “cantigas”, dentro da religião. São cânticos sagrados que invocam e louvam os Orixás, executados nos rituais para estabelecer a conexão entre a comunidade e o mundo espiritual. Elas variam conforme a nação (Ketu, Angola, Jeje etc.), cada uma com seu estilo próprio, suas peculiaridades e ritmos diferenciados para cada Orixá.

Como se chamam as músicas cantadas no Candomblé?

As músicas cantadas no Candomblé são chamadas de cantigas ou “orin”, podendo receber diferentes nomes de acordo com a nação. Esses cantos contêm invocações, louvores e histórias relacionadas aos Orixás, sendo parte fundamental das cerimônias.

Qual é o ritmo do Candomblé?

O ritmo do Candomblé é conduzido pelos atabaques, que seguem padrões específicos conhecidos como toques de atabaque, sendo alguns deles o Alujá, Aguerê, Batá, Vassi, entre outros, e inclusive com outros nomes de acordo com suas nações. Cada ritmo é associado a um ou mais Orixás, criando uma atmosfera propícia para o ritual.

O que significa Aguerê no Candomblé?

Agueré é um dos toques sagrados tocados nos atabaques do Candomblé, especialmente em reverência e homenagem aos Orixás da Caça, como Oxóssi. Ele possui um ritmo característico que simboliza a agilidade e a força desse Orixá caçador, conectando-se à energia da floresta e da caça.

O que significa Xirê?

Xirê é um termo utilizado no Candomblé para se referir à roda ou sequência de cantos, toques e danças em homenagem aos Orixás na abertura das festas de Candomblé. Durante o xirê, cada Orixá recebe uma sequência de toques e cantigas, permitindo que a energia se manifeste em harmonia com a comunidade.

Qual é o Orixá da música?

No Candomblé, o Orixá Xangô foi amplamente vinculado à música, pois ele rege a energia do trovão que é amplamente associada ao som dos atabaques. Inclusive, por conta disso Xangô foi homenageado como a origem do festival “Alaiandê Xirê — Festival Internacional de Alabês, Xicarangomas e Runtós”, com sua criação sob a liderança do ogã de Ogum Roberval Marinho e da escritora e roteirista Cléo Agbeni Martins, membros do Ilê Axé Opô Afonjá, de São Gonçalo do Retiro, em Salvador, no Estado da Bahia. No entanto, Oxóssi também é lembrado em alguns contextos por sua ligação com a alegria e a criatividade presentes nos cantos sagrados.

O que significa Ogun?

Ogun é conhecido no Candomblé por ser o Orixá da guerra, da tecnologia e dos metais. Ele representa a força do trabalho e a evolução, estando associado à abertura de caminhos e à proteção. Ogum também é reverenciado no Candomblé como um desbravador que supera obstáculos com coragem.

Qual é a dança do Candomblé?

As danças no Candomblé são vinculadas aos nomes dos toques de atabaque em execução. Cada ritmo possui passos e gestuais específicos que refletem suas características e podem, inclusive variar dentro de um mesmo toque que seja executado para divindades diferentes, formando uma expressão de devoção e energia espiritual.

O que é Rum no Candomblé?

Rum é o nome do maior atabaque entre os três utilizados nos rituais de Candomblé. Ele é considerado o principal tambor e é tocado pelo Ogã Alagbê ou o Ogã de maior experiência presente durante a cerimônia. O Rum conduz e dita o ritmo para os demais atabaques, sendo fundamental para a harmonia musical do terreiro. Porém, Rum também pode ser utilizado como uma expressão para a dança dos Orixás – “Rum dos Orixás”.

O que é um Orin?

Orin é a palavra de origem iorubá que significa “canto” ou “canção”. No contexto do Candomblé, o orin representa as cantigas sagradas entoadas para louvar e chamar os Orixás, preservando a tradição, a cultura e a conexão com as divindades.

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Imagem com fundo azul e bege, contendo o texto "Para onde está caminhando o Candomblé?" e o logotipo do Farol Ancestral, que apresenta um farol estilizado dentro de um círculo.
Leandro

Desafios do Futuro: Para Onde Está Caminhando o Candomblé?

Para onde está caminhando o Candomblé, uma religião construída sobre pilares ancestrais sólidos, transmitidos de geração em geração através da oralidade e da vivência dentro dos terreiros? Sua força está na preservação dos ritos, na conexão com os Orixás e na continuidade dos ensinamentos dos mais velhos. No entanto, vivemos uma era de mudanças aceleradas, onde novas interpretações, influências externas e formas híbridas de prática têm provocado questionamentos profundos sobre o futuro da religião. A cada dia, surgem novas abordagens, pessoas trazendo conhecimentos de diferentes matrizes africanas, a influência da internet disseminando informações (muitas vezes deturpadas), e o desafio constante de manter a essência do axé viva em meio às transformações do mundo moderno. O Candomblé está evoluindo ou se descaracterizando? Essa é uma pergunta que tem gerado intensos debates dentro da comunidade religiosa. Diante desse cenário, é necessário refletir sobre os limites entre tradição e inovação. A preservação dos fundamentos deve ser protegida a todo custo, ou existe espaço para adaptações? A história nos mostra que o Candomblé sempre encontrou formas de resistência e adaptação sem perder sua identidade. Mas até que ponto a modernização pode ser positiva sem comprometer a essência dos ritos e da ancestralidade? Não há respostas fáceis para essas questões. O que estamos preservando para as próximas gerações? Estamos garantindo que os mais novos terão acesso a um Candomblé fiel aos ensinamentos antigos, ou estamos deixando que influências externas o transformem em algo irreconhecível? Será que o desejo de mudança e experimentação pode comprometer a solidez dos fundamentos? Neste artigo, vamos mergulhar nesse debate essencial para a preservação da nossa fé. Acompanhe essa reflexão sobre o presente e o futuro do Candomblé e traga sua perspectiva para essa discussão. Afinal, o que queremos construir e deixar como legado? A Fragmentação do Candomblé: Os Quatro Grupos Atuais O Candomblé de hoje não é mais uma estrutura homogênea. Embora sempre tenha havido variações conforme suas diferentes nações e linhagens, a globalização da informação e as novas formas de vivência religiosa trouxeram desafios inéditos. O que antes era um sistema fechado, transmitido exclusivamente pela oralidade e pela convivência dentro do axé, agora enfrenta um cenário em que o acesso ao conhecimento se tornou amplo e instantâneo, muitas vezes sem o preparo adequado para interpretá-lo. Diante desse panorama, é possível identificar quatro grandes grupos dentro do Candomblé contemporâneo. Cada um deles tem uma maneira própria de compreender e vivenciar a religião, moldando suas práticas e perspectivas de acordo com suas crenças e experiências. Entretanto, em meio a essa diversidade, nem sempre há um compromisso real com a ancestralidade e os fundamentos tradicionais, o que pode levar a tensões e questionamentos sobre os rumos da religião. 1. Os Tradicionalistas Esse grupo é composto por aqueles que seguem rigorosamente os preceitos transmitidos pelos mais velhos, rejeitando influências externas e buscando preservar o Candomblé tal como foi ensinado por seus ancestrais. Para eles, a força da religião está na manutenção da liturgia, da hierarquia e da oralidade, garantindo que os ritos permaneçam intactos ao longo das gerações. Principais Características ✔ Valorizam os fundamentos e rituais tradicionais.✔ Rejeitam sincretismos modernos e práticas que não pertencem ao culto.✔ Defendem que a religião não pode ser acessada de maneira superficial. Desafios desse grupo 2. Os Buscadores do Culto Africano Aqui encontramos aqueles que não se sentem completamente ligados ao Candomblé e voltam seus olhares para a África em busca de iniciações e conhecimentos espirituais. Muitas vezes, são praticantes de outras religiões afro-brasileiras, como a Umbanda, ou pessoas que se identificam com a espiritualidade africana, mas não desejam seguir as liturgias do Candomblé tradicional. Principais Características ✔ Fascínio pela “África mística” e pelos ritos tradicionais do continente.✔ Buscam iniciações diretamente com sacerdotes africanos.✔ Muitas vezes realizam múltiplas iniciações sem um entendimento profundo de seus fundamentos. Desafios desse grupo 3. Os Devotos de Ifá e da Umbanda Esse grupo é formado por pessoas que não se identificam com o Candomblé, mas seguem Ifá e mantêm uma forte conexão com as entidades da Umbanda. Por não pertencerem completamente a nenhuma das duas tradições, acabam criando uma nova vertente híbrida, em que cultuam Orixás seguindo Ifá ao mesmo tempo em que se dedicam a Exus e Pombagiras de maneira independente. Principais Características ✔ Se autodenominam seguidores de Ifá, mas não se aprofundam na cultura africana genuína.✔ Misturam a devoção aos Orixás com o culto às entidades espirituais da Umbanda.✔ Fazem múltiplas iniciações sem compreender a necessidade de cada uma delas. Desafios desse grupo 4. Os Pesquisadores Conscientes Diferente dos demais, este grupo busca conhecimento na África sem desvalorizar o que foi preservado no Brasil. São pessoas que estudam a tradição africana com discernimento e respeito, compreendendo que o Candomblé não precisa ser reinventado, mas sim aprofundado. Principais Características ✔ Buscam informações diretamente da África sem misturar práticas.✔ Valorizam os conhecimentos africanos, mas também respeitam a tradição do Candomblé.✔ Validam informações com os mais velhos antes de incorporar novos aprendizados. Desafios desse grupo O Que Essa Divisão Nos Mostra? O Candomblé está passando por um momento de grande fragmentação, onde diferentes abordagens convivem, mas nem sempre dialogam entre si. O grande desafio atual é preservar a coerência e o respeito pela tradição, sem permitir que a religião perca sua essência. Cada um desses grupos reflete uma faceta desse novo cenário: Diante desse cenário, surge uma grande questão: qual será o futuro do Candomblé? Será que a tradição conseguirá se manter forte diante de tantas influências externas? Ou será que a fragmentação criará vertentes irreversíveis? A resposta está nas mãos de cada praticante. Como você enxerga essa divisão? Qual desses grupos mais representa sua visão sobre o Candomblé? Essa é a reflexão sobre o futuro da nossa tradição que todos deveriam fazer constantemente! O Conflito Entre Tradição e Mudança O Candomblé sobreviveu a séculos de perseguição, resistência e adaptação, mas manteve sua essência porque os mais velhos souberam guardar, proteger e transmitir o conhecimento ancestral através da oralidade e da vivência dentro dos terreiros. A tradição não é apenas um

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