Como Aprender Candomblé: 7 Etapas para Iniciar Seu Caminho no Terreiro
Leandro
26/06/2025
10:00 PM
No Candomblé, o aprendizado é vivencial — um caminho que exige tempo, observação e participação ativa no terreiro. Neste guia, você descobrirá as 7 etapas essenciais para iniciar sua jornada com respeito e autenticidade, desde o primeiro contato até as responsabilidades de um iniciado.
Como Aprender Candomblé: Um Guia Prático
Imagine entrar num terreiro pela primeira vez: os cantos, os aromas, a energia do axé. Aqui, você não é um “aluno”, mas parte de uma comunidade. Este guia não é um “manual” — é um mapa para entender como os primeiros contatos acontecem no dia a dia, através das mãos, dos ritos e da confiança construída com os mais velhos.
Diferente de religiões com cursos formais, o Candomblé se aprende fazendo: varrendo o chão, preparando oferendas, ouvindo histórias dos mais antigos. É uma jornada que exige paciência, humildade e entrega.
Acesso Rápido
Entender o Contexto: Aprender Fazendo
O Candomblé não é uma religião de livros, mas de experiência. E o primeiro passo é entender onde essa aprendizagem ocorre:
Roça ou Casa de Candomblé?
Pense na diferença entre estudar numa universidade rural e numa urbana:
Roça: Refere-se a um espaço sagrado com mais elementos da natureza, com fontes de água natural, árvores e energia pura. Ideal para cultos a divindades que possuem essa necessidade de um espaço físico mais livre, como Iroko, a árvore sagrada.
Casa de Candomblé: O termo se refere a locais sagrados em áreas mais urbanas, mantém a tradição em espaços menores, adaptados à cidade, mas igualmente poderosos.
Roça ou Casa de Candomblé como Sala de Aula
A percepção de algumas pessoas pode enganá-las, fazendo-as acreditar que as tarefas do cotidiano de um terreiro são apenas tarefas. De tal forma, é muito fácil se furtar da reflexão a respeito de que até as tarefas mais simples são ritos de passagem:
Varrer um terreiro = É preparar o espaço para abrigar o sagrado;
Pintar paredes = É um ato que renovar as energias que podem estacionar no lugar;
Carregar água de maneira ritual = É a oportunidade de aprender a honrar a ancestralidade e as divindades, demonstrando a humildade na manutenção de uma tradição destinada à purificação.
Se uma pessoa se contamina com a ideia de que o trabalho comunitário dentro do espaço sagrado é ultrapassado, é vexatório e, como algumas pessoas estão se convencionando a bradar nas redes sociais hoje em dia, uma reprodução do período escravista, elas se furtam de:
Assimilar a hierarquia do terreiro;
Entender o significado dos ritos;
Ganhar a confiança dos mais velhos.
Funções Iniciais: O Abiã
Ser abiã é como ser um “estagiário espiritual”: você já frequenta o terreiro, participa de determinados ritos básicos e aprende observando, mas ainda não recebeu obrigações profundas.
O Que um Abiã Faz?
✔ Participa de festas públicas, ainda que na condição de observador ou de auxiliar nas tarefas relativas ao recebimento dos participantes daquela festa; ✔ Ajuda em obrigações cotidianas, como a manutenção do espaço físico do terreiro e o preparo da alimentação para a comunidade; ✔ Passa por ritos iniciais destinados à manutenção da energia espiritual do indivíduo.
Respeitar Seu Tempo e as Etapas
No Candomblé, o tempo não é medido em horas, mas em vivências. Cada etapa — do primeiro dia no terreiro à iniciação — é um degrau sagrado que não pode ser pulado sem consequências. Quem tenta acelerar o processo, seja por ansiedade ou promessas alheias, colhe um aprendizado vazio, como uma árvore plantada em solo raso: pode crescer rápido, mas nunca terá raízes fortes.
A pressa é inimiga do Axé. Não foram poucas as vezes em que ouvi algum dos meus mais velhos dizer: “O santo não corre, mas também não dorme.” Isso significa que, enquanto você respeitar o ritmo natural do terreiro e se dedicar com honestidade, tudo virá no momento certo — sem atalhos, mas com firmeza.
Não Existe Atalho Saudável na Espiritualidade
No caminho do Candomblé, nada que é verdadeiramente valioso se compra ou se negocia com favores. Histórias de pessoas que tentaram “pular etapas” — seja através de acordos financeiros obscuros, relações pessoais de moral duvidosa e abusivas com promessas de conhecimento rápido — quase sempre terminam em frustração.
O Perigo dos “Atalhos”
Quem oferece ensinamentos em troca de dinheiro, favores sexuais ou poder raramente tem ética para transmitir a tradição de forma íntegra. Muitas vezes, o “conhecimento” vendido é fragmentado, inventado ou profano. Pior: quem aceita essas condições pode se ver preso a ciclos de exploração e culpa espiritual.
Os Olhos de Exu Estão em Todos os Lugares
Em nossa tradição, Exu é o Orixá que testa a honestidade das pessoas que seguem a jornada espiritual e verifica o seu merecimento. Se algo parece “fácil demais” no Candomblé, desconfie. Como diz um ditado antigo: “O Diabo vem vestido de luz, mas carrega sombras no bolso.”
A Sabedoria dos Mais Velhos
Não foram poucas as vezes que tive a honra de ouvir Egbomi Cidália de Iroko me dizer:
As pessoas dizem que eu sou a enciclopédia viva do Candomblé, mas pra ser a enciclopédia do Candomblé eu tinha que saber tudo. Eu não sei tudo! Minha cartilha é a de minha mãe Menininha. Eu morei dentro do Jeje e aprendi um pouco do Jeje, mas eu não sei quase nada do Angola. Porque eu não convivi com o Angola. Como eu posso ser a enciclopédia viva do Candomblé, se eu ainda estou aprendendo? A gente pode até saber muita coisa, mas ninguém vai saber tudo. Quem sabe tudo é só quem já partiu.
Essa humildade é a marca da sabedoria adquirida por aqueles que vivenciaram o Candomblé de forma verdadeira, sem pular etapas.
A Régua Moral
Cada pessoa mede o mundo pela régua que carrega. A criação de cada pessoa, antes da sua chegada em uma roça ou casa de Candomblé, é determinante para a forma como ela vai experienciar a sua vivência.
No terreiro, porém, a única medida válida é a do caráter.
Evite comparações:
Seu colega foi iniciado em menos de 3 anos? Ótimo. Seu caminho pode levar 5 ou mais — e não há problema nisso. O importante é a qualidade da sua entrega, não a velocidade. Eu conheço Ogans que foram suspensos há mais de 30 anos e ainda não foram confirmados, e possuem mito mais conhecimento e sabedoria do que muito iniciado.
Esteja atento ao que acontece em seu redor:
Pessoas que agem sem escrúpulos (seja por ganância, luxúria ou poder) costumam se revelar com o tempo. Todos temos livre arbítrio para decidir o que é bom e o que é ruim para cada um de nós, mas não podemos esquecer jamais que há uma consequência para cada escolha que fizermos. Para ter uma jornada saudável, e se desvencilhar de péssimas experiências, esteja atento a:
Promessas de conhecimento excepcional;
Promessas de favorecimento na distribuição de tarefas;
Promessas de lugar de destaque entre os demais.
A pureza do caminho:
A espiritualidade do Candomblé é construída na verdade. Quem escolhe a honestidade — mesmo que isso signifique esperar mais — colherá o respeito da comunidade e a bênção dos ancestrais e dos Orixás.
Divisão de Papéis: Discentes e Docentes no Candomblé
No Candomblé, o aprendizado é um fluxo sagrado que depende tanto daqueles que ensinam quanto daqueles que aprendem. Essa relação não é hierárquica no sentido comum — é uma troca contínua de Axé, onde o mais velho transmite e o mais novo absorve, mas ambos crescem juntos.
Nenhum conhecimento é dado de graça, mas isso também não quer dizer que se vende. Ele é conquistado através da observação, do trabalho e do respeito ao tempo de cada um. Quem ensina carrega a responsabilidade de preservar a tradição; quem aprende, a humildade de recebê-la no momento certo.
Quem Aprende
No terreiro, podemos dividir os aprendizes em dois perfis, definidos não pela experiência, mas pela postura:
Explorador Iniciante
São aqueles que entendem: o Candomblé não se aprende na teoria, mas na prática cotidiana.
Compromisso com o axé: Não basta frequentar festas ou passar o dia fazendo perguntas. O verdadeiro explorador se dedica de bom grado às tarefas mais simples — varrer, cozinhar, arrumar o que precisa ser arrumado — sabendo que cada gesto é um rito de passagem.
Disciplina como devoção: Eles seguem as regras da casa não por obrigação, mas por entenderem que a ordem do terreiro reflete a ordem do universo. Um abiã que chega cedo para varrer um quintal, mesmo sem saber, está atuando na manutenção dos fundamentos mais profundos.
Aventureiro
São os que ainda buscam se entender — e isso não é um defeito, mas uma fase.
O risco da indecisão: Sem um objetivo claro (seja a iniciação, o estudo da cultura ou o serviço à comunidade), o aventureiro pode se perder na preguiça, em promessas falsas ou caminhos tortuosos.
A importância da referência: Por isso, é crucial que se aproximem de pessoas de Axé com conduta comprovada — aquelas que falam pouco, trabalham muito e nunca oferecem “atalhos”.
Quem Ensina
Ensinar no Candomblé é um privilégio sagrado, não um direito. E cada nível da hierarquia tem seu papel:
Iyawo iniciados recentes:
Aprendem a calar. Seu papel é observar, orientar os que vieram depois deles e, quando autorizados, corrigir ações básicas dos abiãs (ex: onde podem e onde não podem entrar).
Iyawo iniciados há mais tempo:
Conforme o passar dos anos, possuem um pouco mais de experiência dentro do Ilê Axé, têm mais responsabilidade na instrução dos mais novos e precisam ter muito cuidado para não revelarem segredos por engano.
Egbon mais recentes (pessoas que cumpriram seu ciclo com a obrigação de 7 anos mais recentemente):
Já têm competência para explicar ritos simples a iniciados. Sabem que conhecimento incompleto é perigoso.
Egbon mais velhos (pessoas com mais anos de emancipação dentro do Axé):
Possuem discernimento para selecionar a quem deve ser passado determinados conhecimentos.
Ogãs e Ekedis:
Guardiões dos detalhes ritualísticos. Ensinam através do exemplo — um Ogã e uma Ekedi devem executar suas funções com precisão e postura.
Agbás (50+ anos de iniciação):
Detêm os segredos mais profundos. Há uma característica bem interessante da maioria dos anciões que possuem saber dentro do Candomblé: entregam uma peça do quebra-cabeça só quando a pessoa prova estar pronta.
Critérios de Confiança
O conhecimento no Candomblé é como uma semente: só germina em solo preparado. Por isso, costumeiramente os mais velhos avaliam:
Perseverança:
Quem falta às funções comunitárias laborais ou só aparece em festas, de fato, não está pronto para receber conhecimento.
Silêncio:
Quem fala demais raramente escuta. E no Candomblé, ouvir é o primeiro fundamento.
Serviço:
Ninguém confia em quem nunca pega no pesado.
Respeito à hierarquia:
Questionar é permitido; desafiar, nunca.
O Perigo dos Descompromissados
Aqueles que insistem em pular etapas ou negociar conhecimento muitas vezes acabam:
Excluídos da comunidade e apenas tolerados, quando ainda assim se esforçam em permanecer.
Vítimas de golpes espirituais.
Presos em ciclos de culpa e frustração.
O Candomblé é uma escola onde o diploma é a vida inteira. Não há formatura, só transformação.
Os Riscos dos Atalhos
No Candomblé, o tempo não é um inimigo, mas um aliado sagrado. Quem tenta acelerar seu caminho com atalhos — seja através de dinheiro, influência ou relações questionáveis — colhe frutos amargos: um conhecimento vazio, uma espiritualidade frágil e, muitas vezes, a rejeição do próprio Axé.
A pressa é uma armadilha. Cada etapa do aprendizado existe por um motivo. Pular essas fases é como construir uma casa sem alicerce: pode parecer sólida, mas um dia desmorona.
Aprendizado Incompleto ou Corrompido
O conhecimento não é uma mercadoria — é uma herança espiritual transmitida com critério. Quando alguém tenta “comprar” esse saber, entra numa corrente perigosa:
O problema da “cadeia de conhecimento”: Se você aprende com alguém que também pagou por coisas rápidas, é provável que esse ensino já tenha sido diluído, adulterado ou enxertado em algum momento. Como um telefone sem fio, a cada “repassada”, perde-se um pedaço da verdade.
A ilusão do status: Ter um título sem ter vivido o processo é como usar um diploma falso: pode enganar os outros, mas nunca a si mesmo — ou aos Orixás.
Insegurança e Depressão
Quem busca atalhos carrega uma culpa espiritual que nenhuma magia, feitiço ou ritual pode apagar.
A sombra da dúvida: Mesmo ocupando posições altas, a pessoa sempre saberá, no fundo, que não merece estar ali. Essa insegurança mina a autoestima e pode levar a crises de ansiedade ou depressão.
O ciclo da compensação: Para esconder sua fraude, muitos recorrem a “trabalhos” cada vez mais fortes — mas são como areia movediça: quanto mais se mexe, mais se afunda.
Perda de Conexão com a Ancestralidade
A ancestralidade não se engana. Ela reconhece quem honra o sangue dos antepassados e o axé — e rejeita quem tenta burlar o caminho.
Uma vida de ilusão: A pessoa até pode realizar funções, mas será como um ator representando um papel. Sem a maturidade espiritual, seus gestos são vazios, suas preces não ecoam e seu Orixá permanece distante.
O preço a pagar: As consequências podem ser tardias, mas são inevitáveis: doenças, fracassos repetidos ou a sensação de estar sempre sozinho, mesmo cercado de muita gente.
O Candomblé não é uma corrida — é uma jornada de transformação. Quem respeita o tempo colhe:
✔ Sabedoria completa, não fragmentada. ✔ Confiança em si e no próprio Axé. ✔ Apoio ancestral em todos os momentos.
O caminho longo é, no fim, o mais curto.
Os Sete Passos Para Uma Jornada Espiritual Sólida no Candomblé
O Candomblé não é uma religião de fórmulas prontas, mas de caminhos construídos passo a passo. Se você deseja iniciar essa jornada com solidez — evitando armadilhas e colhendo os frutos do axé — proponho a você estas sete etapas essenciais:
Defina Seus Objetivos
Pergunte-se: “O que eu busco no Candomblé?”
Evite respostas vagas como “quero paz” ou “conhecer meu Orixá”. Seja específico:
“Quero me tornar um iniciado e servir minha comunidade.”
“Desejo entender como o Candomblé pode me ajudar a resgatar minha ancestralidade.”
Por que isso importa? Quem não sabe porque está no Candomblé pode se perder em promessas falsas ou frustrações.
Entregue-se às Tarefas Diárias
No Candomblé, o sagrado está no cotidiano.
Tarefas que ensinam:
Varrer o terreiro = Aprender a respeitar o espaço sagrado.
Polir panelas = Entender a importância da pureza ritual.
Pintar paredes = Renovar o Axé do lugar.
Não espere “aulas formais”: Os mais velhos observam seu compromisso nas pequenas coisas antes de confiarem grandes ensinamentos.
Observe em Silêncio
“Você tem dois olhos, dois ouvidos e só uma boca. Veja mais, escute mais, e fale menos.” — Ogã Carlinhos de Oxóssi, Casa de Oxumarê (e meu pai).
O que observar?
A hierarquia: quem fala, quem cala, quem age.
Os detalhes dos rituais: momentos para gestos, momentos para cantos e momentos de silêncio.
Erro comum: Perguntar demais (antes de entender o básico) é visto como apressado ou desrespeitoso.
Abiã, Tenha Paciência
Ser abiã não é uma fase “menor” — é o alicerce.
O que esperar nessa etapa?
Aprender o básico com consistência (ex: como cumprimentar os membros da comunidade).
Participar de momentos da comunidade sem pressão, sejam os ritualísticos ou do cotidiano.
Ser testado em tarefas simples.
Armadilha a evitar: Comparar seu progresso com o dos outros. Cada um tem seu tempo.
Construa Pontes de Respeito
O terreiro é um microcosmo da sociedade: há místicos, acadêmicos, artistas e curiosos.
Como integrar-se sem perder o foco?
Respeite a diversidade, mas não banalize o sagrado.
Evite debates desnecessários sobre “o que é certo ou errado” no Candomblé.
Regra de ouro: “Algumas pessoas vão achar que você não sabe. Evite abrir a boca e confirmar isso.”
Aprenda a Tradição aos Poucos
Ninguém decora a rotina de um espaço sagrado em uma semana.
Método eficaz:
Foque em um tópico por vez (comece aprendendo sobre o patrono da família espiritual).
Anote (mentalmente ou em um caderno reservado) coisas importantes que você precisa ter sempre na ponta da língua.
Cuidado: Não grave rezas ou cânticos sem permissão — alguns saberes não devem ser registrados.
Celebre e Reflita Sempre
Cada conquista, por menor que seja, é um presente dos ancestrais.
Momento sagrado:
Sempre que alguém te ensinar alguma coisa dentro do Ilê Axé que você frequenta, agradeça e lhe peça a benção.
Ao estar presente em uma obrigação, mesmo que não esteja participando efetivamente, reflita sobre o seu crescimento.
Por que isso importa? A gratidão atrai mais Axé e mostra maturidade espiritual.
Esses sete passos não são um “manual”, mas um convite à jornada. E lembre-se sempre:
Na verdade, o Candomblé não se aprende — se vive. E quem vive direito, um dia vira exemplo.
Aprendizado no Candomblé: Um Compromisso Para Toda a Vida
O Candomblé não se aprende em livros ou cursos rápidos — é uma jornada oral e vivencial, onde cada ensinamento carrega o axé de gerações passadas. Apostilas não são confiáveis porque não revelam a essência mais importante: a procedência do saber. Quem transmite conhecimento sem vivência é como um rio sem nascente — pode até correr, mas não sustenta vida.
Aos que chegam agora ao Candomblé, o convite é simples, porém profundo:
✔ Seja presente, mas não confunda presença com ocupação física. ✔ Ofereça sua ajuda sem pedir nada em troca — o axé recompensa quem serve de coração. ✔ Respeite as etapas, pois o fruto colhido antes do tempo amadurece mal. ✔ Pergunte com humildade, não para se mostrar, mas para cultuar melhor. ✔ Celebre cada avanço como se fosse o primeiro — a gratidão é o sustento da ancestralidade.
O Candomblé é, acima de tudo, uma família espiritual. Aqui, você não é um espectador, mas parte do todo.
Quem entra nesse barco com respeito, nunca fica à deriva.
Povo de Santo
Perguntas Frequentes – FAQ
Algumas pessoas ainda possuem dúvidas sobre o Candomblé e eu recomendo que leiam os posts relacionados aqui no Blog do Farol Ancestral, para que encontrem esclarecimento. Porém, para algumas dúvidas mais frequentes, criei esta FAQ para tentar trazer uma resposta de forma mais rápida e objetiva.
Como posso me iniciar no Candomblé?
O ideal é respeitar o seu tempo, começando por ter uma frequência assídua em um terreiro, participando nas tarefas cotidianas e, quando o Orixá determinar, e a comunidade reconhecer sua maturidade espiritual, pode-se começar a preparação para “fazer o santo” ou “se confirmar”. Não existe “auto-iniciação” no Candomblé — você precisa ser acolhido por uma comunidade séria e seguir todas as etapas.
Como posso entender o Candomblé?
Entender o Candomblé exige vivência, não apenas estudo teórico. Comece:
Frequentando festas públicas (com respeito);
Visitando a casa ou roça de Candomblé fora do período de festas;
Se proponha a ajudar nas funções cotidianas do terreiro.
Como incorporar pela primeira vez no Candomblé?
A manifestação da energia dos Orixás no corpo das pessoas não é forçada — acontece naturalmente quando é de vontade do Orixá, para iniciados que estão preparados para recebê-la ou não iniciados que ainda não estão preparados para estabilizar essas energias nos seus corpos.
Quanto tempo leva a iniciação no Candomblé?
Depende de comunidade de Axé para comunidade de Axé, bem como de sacerdote para sacerdote. Não existe uma regra e pode também haver, além da questão do merecimento, a necessidade espiritual detectada pelo oráculo do jogo de búzios, que indica a necessidade da iniciação.
Agora, falando especificamente sobre o tempo para a execução das etapas do ritual de iniciação, também vai depender da tradição de cada casa.
É obrigatório raspar a cabeça no Candomblé?
A raspagem dos cabelos na cabeça do neófito a ser iniciado representa, principalmente, o seu renascimento espiritual. Todo aquele a ser preparado para manifestar a energia dos Orixás em terra tem, por obrigatoriedade, que passar por este processo, além de outros.
Qual é a obrigação de 5 anos no Candomblé?
A organização litúrgica do Candomblé exige o cumprimento de obrigações ritualísticas periódicas, sendo as mais comuns as que consolidam, após a iniciação, o período de 1 (um) ano, 3 (três anos) e 7(sete anos), porém, sabe-se hoje que existem tradições que também realizam obrigações religiosas aos 5 (cinco) anos. Mas essas são menos comuns nas casas matrizes do Candomblé.
Quanto custa uma feitura de santo no Candomblé?
Por mais que cheguem notícias de locais em que preços são tabelados para tudo que se realiza dentro de um Ilê Axé, não existe preço fixo. Os custos devem cobrir diversos elementos que fazem parte da iniciação, considerando principalmente os materiais a serem utilizados no ato.
Viver essas etapas com seriedade será o diferencial para que você não caia nas artimanhas de pessoas que só querem explorar você. Quer Aprender Mais Sobre Candomblé com Respeito e Segurança?
Deixe nos comentários qual é a dúvida sobre iniciação no Candomblé ainda não foi respondida para você? Compartilhe sua experiência se você já passou por alguma dessas etapas? Conte como foi seu processo!
Atenção iniciantes: Se busca um terreiro sério, evite golpes! Fique atento ao site.
Afinal, Exu tem igreja? Descubra o que realmente está por trás dessa polêmica nas redes sociais, compreenda a diferença entre Orixá e entidade e entenda por que o Candomblé não reconhece essa prática.
Neste artigo, vamos mergulhar na importância do Ogã na estrutura sacerdotal do terreiro, compreendendo sua posição dentro da hierarquia, suas funções, seus desafios e a relevância de sua atuação para a preservação da cultura e espiritualidade do Candomblé.
A Escrava Isaura (1949), adaptação do romance de Bernardo Guimarães, retrata a luta pela liberdade no Brasil escravocrata. O filme insere o Candomblé como fonte de força espiritual, mostrando a ancestralidade como pilar da resistência negra.
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